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Sinusite - Antibiótico sim ou não?

Dor na face e dor de cabeça, principalmente quando na testa, são sintomas comuns de quem diz sofrer de sinusite. Afinal, isso é sinusite?

Os seios da face são cavidades nos ossos do rosto e base do crânio, normalmente preenchidas por ar, que se comunicam com o nariz por pequenas aberturas (óstios). A inflamação do tecido que reveste o nariz e seios da face leva ao inchaço dessa mucosa e aumento da produção de muco. Infecções, alergias, alterações da anatomia do nariz e seios da face (como desvios do septo) e causas genéticas são os principais fatores que predispõem ao desenvolvimento da sinusite.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, os sintomas mais importantes para definir sinusite são o entupimento do nariz (obstrução/congestão nasal) e a presença de secreção nasal (rinorréia). Outra queixa, bem mais comum nas crianças, é a tão incômoda tosse, principalmente noturna. Já a presença isolada de dor na face ou dor de cabeça não significa necessariamente que a pessoa tenha sinusite. Febre, fraqueza, perda de apetite, perda de olfato, dor de garganta ou de ouvido podem ou não estar associados.

Aguda ou crônica? Com certeza, a sinusite aguda é bem mais comum que a forma crônica, que é aquela que dura mais de 3 meses. Porém muitas pessoas confundem quadros frequentes de sinusite aguda com uma sinusite crônica. Já a sinusite crônica é bem mais complexa de avaliar, classificar e tratar, logo o acompanhamento por um otorrinolaringologista torna-se essencial.

E toda sinusite aguda precisa de antibiótico? Não mesmo! Até o resfriado comum pode se comportar como uma rinossinusite viral aguda nos primeiros dias, e doença causada por vírus não cura com antibiótico. Também aquela dorzinha na face ou entre os olhos que podem acompanhar uma crise de rinite dificilmente precisa de antibiótico para se resolver. Mesmo casos com secreção mais espessa, por vezes amarelada, e com duração maior que 7 a 10 dias geralmente podem ser tratadas sem associação da antibioticoterapia. Nesses casos, são usadas medicações orais e nasais que tratem a inflamação da mucosa do nariz e seios da face, resolvendo, na maioria das vezes, os sintomas sem os efeitos colaterais e alto custo financeiro do uso de um antibiótico.

Mas agora embolou tudo na sua cabeça? A verdade é que existem vários tipos de sinusite, por diversas causas e com várias possibilidades de tratamento. Daí a importância da avaliação por um especialista mesmo em quadros recentes, mas principalmente em casos de sinusites agudas de repetição e sinusites crônicas. Isso porque o especialista, além de um maior poder de avaliação dos sintomas, tem o instrumental para um exame físico mais adequado e pode, em alguns casos, indicar uma investigação mais aprofundada através da endoscopia nasal (videonasofibrolaringoscopia) ou tomografia. A partir disso, pode evitar o uso desnecessário de um antibiótico e até mesmo indicar um tratamento mais definitivo, por exemplo, ao controlar uma rinite alérgica, corrigir cirurgicamente um desvio de septo (septoplastia) ou melhorar cirurgicamente a ventilação dos seios da face (sinusectomia). 


Referência bibliográfica

1.
Fokkens VJ et al. European position paper on rhinosinusitis and nasal polyps (EPOS) 2012. Rhinology Suppl. 2012; 23: 1-298. 

Autor

Dra. Juliana Gama Mascarenhas

Otorrinolaringologia - CRM-GO 14.453

Residência em Otorrinolaringologia e Fellow em Cirurgia Plastica Nasal pela UNIFESP/EPM.
Titulo de especialista em Otorrinolaringologia pela AMB e ABORL-CCF.
Graduação em Medicina pela UFG.