Dicas de saúde

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1. Medindo o peso e a altura, é possível saber se meu estado nutricional está adequado?

Quando avaliamos o peso de uma pessoa, podemos estimar se ele está ou não adequado para a sua altura através do índice de massa corpórea (IMC). O IMC é calculado pela divisão do peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros, sendo considerados normais valores entre 18 e 25kg/m². Porém, estes dados não são suficientes para se fazer um diagnóstico nutricional preciso.

Nem todo aumento de peso ocorre por acúmulo de gordura. Se um indivíduo ganha massa muscular ou está edemaciado (com inchaço ou retenção de líquido), seu peso também irá subir. Por outro lado, indivíduos com IMC normal podem ter uma massa magra diminuída e um excesso de gordura, o que também não é bom para a sua saúde. Portanto, para uma avaliação nutricional mais adequada, devemos medir os vários componentes do peso corporal.


2. Como medir os diferentes componentes do peso corporal?

O exame de bioimpedância é um método de análise da composição corporal, e é considerado pelo Consenso Latino Americano de Obesidade como um método com boa acurácia para este fim.

Os dados obtidos na bioimpedância permitem diferenciar os vários componentes do peso corporal, como quantidade de água, massa muscular e gordura. Com isto, é possível detectar se o excesso de peso do paciente pode ser atribuído a edema (inchaço ou retenção de líquido), aumento de gordura ou ganho de massa magra. Desta forma, a elaboração do cardápio pode ser feita de forma mais individualizada e as metas atingidas mais facilmente.

Existem outros métodos de análise da composição corporal, como as medidas das dobras cutâneas pelo adipômetro e a densitometria (DEXA).


3. Quais as vantagens da bioimpedância em relação a outros métodos?

A bioimpedância é capaz de informar o percentual de gordura em sua totalidade. Ou seja: a bioimpedância mede tanto a gordura que está debaixo da pele (gordura subcutânea) como a gordura que está entre os órgãos (gordura visceral). Esta última oferece maior risco à saúde e está relacionada ao aparecimento de doenças cardiovasculares. O método de medidas das dobras cutâneas somente com um adipômetro, que muitas vezes é realizado durante a consulta com nutricionista, é deficiente neste aspecto, já que não avalia a gordura visceral. Além disto, a medida das dobras cutâneas com adipômetro é muito dependente do examinador, produzindo resultados diferentes do mesmo paciente conforme quem realiza as medidas.

Em relação à densitometria, a bioimpedância tem as vantagens de ser mais facilmente disponível e de menor custo. No entanto, a densitometria é considerada um excelente exame de composição corporal, sendo inclusive considerada o exame padrão ouro.


4. Como é realizado o exame de bioimpedância?

O exame de bioimpedância é baseado na passagem de uma corrente elétrica de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), que passa  pelo corpo através de 8 eletrodos localizados nas mãos e nos pés (veja a figura acima). Esta passagem de corrente elétrica não gera dor ou desconforto. Como os diferentes componentes do corpo oferecem diferentes resistências à corrente elétrica, esta informação é processada pelo aparelho para medir a composição corporal. 


5. Quais cuidados devo ter antes do exame?

Para uma melhor análise do resultado, o paciente deve seguir corretamente o preparo antes de fazer o exame (leia aqui o preparo). Além disto, alguns pacientes não podem realizar a bioimpedância, como: gestantes, portadores de marca-passo cardíaco ou de cardiodesfibrilador, pacientes amputados ou que usam prótese/órteses e pacientes que não tem condições de permanecer de pé. 

Além de seguir o preparo corretamente, a boa qualidade do aparelho também é importante. Recomenda-se aparelhos que tenham validação científica e chancela de instituições como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e GANEP.


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Autor

Dra. Flávia Arantes Moreira Ximenes

Nutrição - CRN-1 - 9.521

Capacitação em serviço no grupo de Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Pós-graduação em Nutrição Clínica pelo GANEP.
Pós-graduação em Nutrição Esportiva pela UFG (em curso).